sábado, 15 de abril de 2017

13 REASONS WHY | A SÉRIE QUE TE FAZ REFLETIR...

PRECISAMOS CONVERSAR SOBRE 13 REASONS WHY...

CUIDADO! ALERTA DE SPOILER!



Na verdade não apenas conversar, mas sim, refletir para discutir sobre o que a série propõe a nós espectadores. E sim. Foi o que aconteceu comigo nos últimos dias quando maratonei a série e pelo que tenho observado nas redes sociais também. Muitas pessoas se manifestando e expondo suas opiniões a cerca de 13 Reasons Why,  que tocou em pontos importantes e que realmente devem ser discutidos como bullying, machismo, homossexualismoestupro, suicídio. Aliás, já deveriam ser discutidos antes... parece então que algo pode ter mudado.

A série que tem produção assinada pela cantora e atriz Selena Gomez, já tem todos os episódios disponíveis na NETFLIX, com o mesmo nome (que traduzido para o português ficou: "Os 13 Porquês") e foi adaptada do livro 13 Reasons Why do autor Jay Asherque até então era pouco conhecido (eu não conhecia o livro, mas agora acabei me interessando). Destaque para o autor que também fez parte da equipe de roteiristas da série.


Tudo começa quando Clay Jensen (Dylan Minette) chega da escola e se depara com uma entrega endereçada a ele, que ao abri-la, descobre ser uma caixa de sapatos com um mapa e sete fitas cassete (Sim! Fitas daquelas antigas mídias de walk man... nossa estou ficando velho mesmo!), gravadas por Hannah Baker (Katherine Langford) antes de cometer o suicídio. Fato que mudou a vida de todos naquela cidade por aqueles dias. Nessas fitas contém a explicação dos 13 "porquês" que a motivaram a fazer o que fez.

Possuindo duas narrativas, uma com o ponto de vista de Clay após o ocorrido, tentando de alguma forma entender o que houve e outra baseada nas fitas com as gravações feitas por Hannah antes do acontecimento e deixadas para os respectivos "porquês", fitas que no momento estão sendo ouvidas por Clay. Apesar da ideia central de um único caso envolvendo uma garota, vários outros são colocados em vista, pois vão ocorrendo com outros personagens que estão diretamente ligados. A trama fica amarrada no decorrer dos episódios, mas em alguns momentos acaba deixando o meio um tanto retrógrado e preso (Clay é muito mole pra ouvir todas fitas! rs). Talvez  o fato da adaptação para 13 episódios acabou sendo demais e a razão disso é algo que poderia ser resolvido até em um número menor de episódios.




A escolha do elenco foi impecável e cada ator/atriz consegue transparecer a personalidade do personagem para o qual é designado. Isso conta muito na hora de comprar a ideia. Cada situação envolve um tema, logo, para cada reação uma surpresa que se mostra envolvente: Clay demonstrando seus sentimentos ao vivenciar cada situação de Hannah; Tony emanando uma expressão misteriosa sempre quando aparece; Hannah sempre sofrendo em silêncio com cada atitude que ela presencia, mesmo sendo uma vítima ou "cúmplice". Etc. No entanto, no aspecto físico, algo me chamou atenção: o cabelo de Hannah depois de cortado e a cicatriz na testa de Clay. Talvez (por algumas questões de roteiro) isso tenha enfraquecido um pouco a imagem de ambos os personagens em determinados momentos. Porém, não é algo que vá tirar o brilho da atuação, foi apenas uma questão pessoal de minha parte.

A fotografia da série é muito boa e remete realmente aos momentos em que cada situação se passa. Antes e depois do suicídio.  Até a luminosidade dos momentos de ponto de vista muda para cada narrativa. Isso consegue transmitir o peso do drama no ambiente. Algo que também me fez entrar de ponta no drama foi a trilha sonora. Simplesmente uma seleta e convidativa lista que trouxe músicas com melodias que me colocaram pra viajar em pensamentos junto com o embalo dos momentos.




A série retrata um caso específico e dramático de adolescente. No entanto, ela reflete o que muito acontece hoje em dia nas escolas e em casa nas famílias. O perigo que pode existir por trás do Bullying, ou ainda, saber em quem pode ou não confiar, entre todos os seus colegas e realmente quem são os amigos e amigas. A própria questão da popularidade também existe e tem sua parcela de culpa, pois, alguns a querem de toda forma e à qualquer custo, então, para se obtê-la, alguns preços podem ser altos de se pagar. A questão do homossexualismo que é vivida por uma personagem, sendo filha de dois pais e que não quer se assumir publicamente, com medo de que a culpa seja atribuída apenas ao fato dos pais serem gays. O estupro também é transmitido com o peso das atitudes machistas e possessivas nas cenas sem a questão do alívio posterior após o núcleo. Algo marcante que a série quis trazer e mostrar em um nível bastante realista.

Mais uma vez, um destaque para o ponto de vista sobre as agressões e o agressor. Todos em algum momento podem ser vítimas, agressores ou cúmplices. Até mesmo indiretamente você pode estar sendo condescendente com alguma atitude que pode estar destruindo o íntimo de alguém.




Uma das falas do personagem Clay no último episódio chama atenção para as NOSSAS atitudes: "Precisamos melhorá-las!". A reflexão se fez presente em mim depois de tudo. Senti um peso caindo sobre minhas atitudes passadas, enfim, todos os meus momentos... "tanto os de Hannah, quanto os de porquê..."

Um ponto alto e positivo a ressaltar é que os centros de apoio e auxílio a prevenção de suicídios tiveram um aumento nas suas ocorrências. O número aumentou logo após o início de exibição da série. O que significa que muitas pessoas necessitadas acabaram recorrendo a alguma forma de ajuda para se tratar. 

A experiência de assistir foi simplesmente arrebatadora! Ao ponto de maratonar a série e terminar em menos de um dia. Poucas vezes consegui ficar preso assim para acompanhar uma série e terminar em tão pouco tempo. Acreditei que o público alvo seria os jovens mais teen e nem tanto os adultos em si. Simplesmente me enganei. E isso foi bom porque tornou a surpresa bem maior, o que me agradou bastante. 

Lembrando que a análise feita aqui, levou em conta a opinião de um espectador que apenas assistiu a série e (ainda) não leu o livro. Basicamente foi um review, em cima dos 13 episódios da primeira temporada. 


Classifico como 5 balõezinhos:

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